Além de ser um músico com uma veia poética muito apurada ele tem também muita experiência em thillers e filmes de ação. Como CORAÇÕES SUJOS combina história de amor e thriller ele é o músico ideal para o projeto.
Música em cinema é algo muito importante. É um terceiro elemento na composição da trajetória emocional do filme. Ela tem importância complementar à atuação e à fotografia. Os atores e a fotografia são uma interpretação artística do que está no roteiro, da história que está sendo contada - não são, objetivamente, a história em si (esta só existe no papel). A música (e o sound design) entra como um terceiro elemento: um elemento que não pode ser apenas objetivo, não pode apenas sublinhar a emoção dos personagens ou a beleza das imagens. A música deve nos ajudar, como público, a percorrer sentimentos que vão além do que está na tela e a transformar o filme num espetáculo transcendental - por mais simples que seja a história, ou não.
Eu acredito que Akihiko Matsumoto é a pessoa correta para nos ajudar a alcançar esta transcendência. Ele é apaixonado pela história, pelos personagens, pelo filme. Sabe que não queremos um pastiche de música tradicional japonesa, sabe também que elementos japoneses não podem estar ausentes, mas que o filme se passa no Brasil. CORAÇÕES SUJOS não é um filme sobre imigração, mas, sim, passado entre imigrantes - é, como sempre repito, um thriller e uma história de amor. Um filme sobre verdade, fundamentalismo, amor e dor. Ele é a pessoa certa para traduzir isto em música.
Vicente Amorim
Diretor











